Tellus Arquitetura é destaque em concurso da HBC

Aqui na Tellus estamos sempre em busca de novas maneiras de continuarmos estudando, aprendendo, praticando e inovando. No mês de agosto deste ano, participamos do Concurso Hotel 1948 Van Der Werf - HBC, que abriu a oportunidade para profissionais de arquitetura certificados pelo Healthy Building Certificate de criarem projetos com foco em saúde para o novo hotel que será construído na cidade de Holambra, SP.


Mais do que a chance de criar um projeto inovador, baseado em dados e informações reais, e de buscar solucionar problemas cotidianos, nossa alegria foi receber Menção Honrosa em dois quesitos que consideramos fundamentais do concurso.


O concurso Van Der Werf-HBC foi uma parceria entre a proprietária do hotel e o Healthy Building Certificate (HBC), com propósito de criar um hotel inovador. Mais do que isso, o objetivo do concurso foi projetar um hotel de acordo com os princípios de construções saudáveis, com foco em um ”sono reparador” e em ambientes que gerem bem-estar para hóspedes e colaboradores.


Para a seleção dos ganhadores, a banca avaliadora considerou alguns requisitos, qualidade acústica e da iluminação, qualidade do ar interno, sustentabilidade e paisagismo, principalmente. Além dos projetos finalistas e vencedores do concurso, os jurados também escolheram outros projetos que se destacaram. E, para nossa grande alegria, o projeto da Tellus, que foi liderado pelo sócio do escritório, arquiteto e profissional certificado HBC PRO, Ormy Hutner Junior, recebeu menção honrosa em duas categorias: Sustentabilidade e Design/Charme.



Conheça o projeto apresentado pela Tellus


Um novo conceito de hotel que vai muito além do simples fato de pernoitar. O projeto de arquitetura e paisagismo para o novo Hotel Van der Werf foi pensado para proporcionar uma experiência em que o bem-estar é condicionante fundamental para que o hóspede usufrua de momentos inesquecíveis durante sua estadia.

Trazendo referências da arquitetura tradicional holandesa, esse projeto incorpora conceitos da arquitetura biofílica, com uma grande área de convivência em todo o empreendimento aliada a apartamentos que podem ser considerados como verdadeiras células de regeneração do corpo humano, os hóspedes poderão ter a certeza que testemunham momentos de profunda reconexão com a natureza e harmonização do próprio corpo.


A solução arquitetônica encontrada se funde na paisagem e traduz a vocação da cidade e sua relação com a produção de plantas ornamentais. Seguindo os princípios do paisagismo ecológico, uma releitura dos polders holandeses traz o elemento água que além do resgate da cultura do país europeu, traz biodiversidade e frescor para os ambientes internos. O Hotel Van der Werf manifesta toda a vocação paisagística da cidade e dos imigrantes holandeses, se tornando um grande referencial da arquitetura e do paisagismo para a cidade de Holambra.



Materiais: soluções baseadas na natureza


Neste projeto, os ambientes foram concebidos para proporcionar um sono reparador, onde todos os detalhes foram pensados para que sua permanência dentro dos quartos proporcionam aos hóspedes uma perfeita conexão entre o ser humano e o meio que o envolve. Para isto, foram inseridos elementos naturais que trazem esse acolhimento. Piso em madeira, paredes de tijolos maciços, tintas minerais, forro em gesso natural garantem essa relação com a natureza. Os tijolos cerâmicos com revestimentos de proteção naturais regulam naturalmente a umidade do ar, por meio de suas trocas gasosas (higroscopicidade).

A concepção espacial dos quartos atendem os arquétipos de abrigo em referência à Carl Jung, onde a presença dos arquétipos caverna, clareira, jardim e água podem estar associados à presença dos 4 elementos: terra, ar, fogo e água. Formando assim, uma composição harmônica.


Contudo, a simples presença de elementos naturais e não tóxicos não seria garantia para um ambiente perfeitamente equilibrado, saudável. Como estratégia, soluções bioclimáticas foram analisadas para garantia de um ótimo conforto térmico. Essas soluções foram validadas por meio de simulações termoenergéticas que reforçam a preocupação de ambientes com conforto térmico, sem necessidade de condicionamento artificial.


O conjunto que envolve materiais, sistemas construtivos, arquitetura de interiores e instalações prediais foram analisados holisticamente, e a qualidade do ambiente interno é alcançada pela integração equilibrada entre os condicionantes de temperatura, umidade, ar e eletroclima.


Instalações Prediais


As instalações prediais foram idealizadas para não criar qualquer interferência na saúde e bem estar dos hóspedes. Instalações de água e esgoto estão concentradas em shafts que podem ser acessados facilmente para manutenção na circulação externa, evitando qualquer inconveniência para hóspedes. Os shafts, posicionados bem afastados da célula de descanso, evita qualquer influência acústica. Os reservatórios de água superiores estão protegidos da radiação solar direta, e podem ser acessados facilmente pelo terraço na cobertura. Toda a tubulação de água potável, fria ou quente, é composta por materiais de tecnologia PPR com total controle sobre a não presença de metais pesados, fluor e outros. As prumadas das instalações elétricas também estão armazenadas dentro do shaft para facilidade de manutenção, sendo distribuídas ao longo do quarto de forma que pontos como tomadas fiquem a uma distância segura das camas. O aterramento de todos os circuitos elétricos, bem como dos elementos metálicos da estrutura irão garantir que a tensão corpórea seja muito próxima a zero. Materiais naturais também evitam que as superfícies se carreguem eletrostaticamente. Para minimizar efeitos de radiofrequência, é proposto que a infraestrutura de lógica seja disponibilizada para conexões a cabo de equipamentos como notebooks.


Iluminação natural


A iluminação natural também é um elemento que foi bastante valorizado neste projeto. Por meio de esquadrias bem dimensionadas, é possível garantir níveis de iluminância adequadas nas principais áreas dos quartos e banheiros. O nível de iluminância nestes ambientes variam em média entre 100 e 1.700 lux ao longo do ano, considerando um plano de 80 cm a partir do chão, valores estes suficientes para que os ocupantes possam exercer atividades confortavelmente, sem a necessidade de recorrer à iluminação artificial durante o dia, sendo principalmente o plano sobre camas e escrivaninhas com iluminância bastante satisfatória.

LEGENDA: Simulação iluminação natural nos dormitórios - nível de iluminância em lux

As aberturas também garantem a ventilação cruzada no quarto, que poderá ocorrer sem qualquer prejuízo à privacidade e segurança dos hóspedes. A ausência de iluminação de fontes externas durante a noite é garantida por meio de esquadrias, que além das propriedades térmicas e acústicas, possuem persianas integradas que bloqueiam qualquer entrada de luz artificial noturna. Um painel de madeira que separa o quarto da circulação e banheiro garante o isolamento lumínico e acústico por meio da esquadria sobre a porta de acesso.


Paisagismo e Arquitetura Biofílica


Arquitetura e paisagismo se fundem neste projeto, tornando-se um elemento indissociável. Baseado nos conceitos de arquitetura biofílica, o paisagismo vai além da ocupação das áreas permeáveis com plantas, assumindo um protagonismo ecológico e multifuncional. No nível do solo, o projeto de paisagismo cria e ressignifica novos ambientes para proporcionar riqueza de percepções sensoriais, atraindo o hóspede para percorrer os caminhos internos e externos do hotel. Criam-se espaços de permanência ao longo de toda área não construída.

O elemento água incorporado dentro do conceito de paisagismo naturalista, traz as referências dos polders holandeses, remetendo às origens étnicas das famílias da região. O elemento água, um dos princípios para um jardim ecológico, delimita o espaço público do privado, sendo um atrativo natural que pode ser contemplado pela comunidade.


Nos recuos internos, o paisagismo contempla ainda espaços para uma espiral de ervas e recipientes para compostagem de resíduos do restaurante. A riqueza na composição dos elementos paisagísticos no nível do solo são continuados por meio de paredes verdes que sobem do solo até a cobertura, permitindo e estabelecimento de um ecossistema em equilíbrio com o meio ambiente. As fachadas vegetais incorporam ainda ótimo desempenho térmico e acústico aos ambientes.

Na cobertura, um grande terraço com cobertura viva criam espaços de contemplação e lazer para os hóspedes, se tornado um opção de permanência para observação da cidade, pôr-do-sol e estrelas.

Estrutura para prática de meditação, yoga, alongamento ou simplesmente banhos de sol podem ser feitas sempre acompanhadas de belas vistas da cidade. Assim como as paredes verdes, os telhados verdes proporcionam conforto térmico e acústico e atenuam ainda ondas eletromagnéticas provenientes de antenas de celular. Em termos de vegetação, o projeto traz ainda uma grande variedade de espécies vegetais, incluindo desde as plantas alimentícias não convencionais até as próprias flores produzidas na cidade. Essa variedade permite a floração durante o ano todo, e traz uma conexão com a cultura holandesa e local.


Ambientes de uso comum



No pavimento térreo concentram-se os principais ambientes de uso comum. O hall de acesso ao hotel encontra-se no setor mais nobre do alinhamento, próximo à esquina. Essa localização permite acesso privilegiado ao hotel, assim como restaurante. Do hall, o hóspede pode se dirigir à circulação que dá acesso aos apartamentos ou ao restaurante.



O restaurante foi projetado para que pudesse ter vistas tanto do jardim externo como interno. Desta forma, além de iluminação natural atendendo a área das mesas, a ventilação cruzada garante renovação do ar e um microclima agradável para as refeições ou situações de reuniões corporativas. O restaurante tem como suporte uma cozinha que pode atender confortavelmente a demanda dos hóspedes e convidados. Uma área externa junto ao jardim frontal permite ainda estender o restaurante para fora da edificação, possibilitando vários cenários de utilização. Além da cozinha, dão suporte a todo o hotel um depósito que contém um monta-carga para deslocamentos de insumos para atender os quartos nos pavimentos superiores. Destaca-se ainda que todos os ambientes no pavimento térreo são acessíveis.

Sustentabilidade


Além de toda a preocupação com as funcionalidades e manutenibilidade do hotel, estratégias bioclimáticas foram adotadas para atendimento de eficiência energética, e assim, garantia de baixo consumo de energia. Dados como gráficos de temperatura, umidade, além da carta solar e psicométrica foram analisadas para atendimento aos parâmetros de conforto para a zona bioclimática da região. O sistema construtivo escolhido possui propriedades térmicas que garantem bom isolamento térmico e assim promovendo temperaturas internas dentro da zona de conforto em 93% das horas ao longo do ano. Desta forma equipamentos como ar-condicionado tornam-se desnecessários.


Esquadrias eficientes evitam ganhos e perdas excessivas de calor, além de oferecer iluminação natural reduzindo a necessidade de iluminação artificial durante o dia. Como já mencionado, a envoltória, com seus brises e paredes verdes atuam no isolamento das superfícies externas. A edificação também está adaptada para receber painéis fotovoltaicos para microgeração de energia e/ou aquecimento solar de água. A cobertura com as águas voltadas para a orientação norte foram pensadas para ter inclinação ideal, considerando a maior eficiência possível dos sistemas. A radiação solar incidente média ao logo do ano sobre os telhados voltado para norte é de 5,72 kWh/m²/dia. Ou seja, a área reservada para instalação dos sistemas de energia solar é capaz de produzir 502 kWh de energia elétrica ao mês ou então aquecer até 2.000L de água por dia, volume este equivalente à demanda do dos chuveiros, considerando a ocupação máxima do hotel. Esses sistemas de energia solar poderia trazer uma economia de aproximadamente R$ 6.000,00 ao ano, seja na fatura de energia elétrica ou na compra de GLP para os aquecedores de água, isso sem considerar os futuros reajustes tarifários.

A cobertura, tanto dos telhados verdes como das águas com telhado tem escoamento das águas pluviais para uma cisterna enterrada que irá armazenar água da chuva para aproveitamento na irrigação das paredes verdes e jardins no solo. E para aqueles que queiram conhecer a cidade a Hotel oferece paraciclos para bicicletas.


Os apartamentos e a célula regenerativa

Os apartamentos podem ser setorizados em 3 setores a saber: circulação, banheiro e quarto de dormir. Ambos os setores têm acesso a iluminação e ventilação natural direta, sem necessidade de sistemas artificiais. Um grande painel que separa a circulação do quarto permite bloquear a iluminação proveniente da circulação externa no período da noite. Durante o dia, mesmo a porta do quarto fechada é possível garantir a ventilação cruzada entre as duas fachadas com segurança e privacidade para os hóspedes.


O quarto de dormir, se configura como uma célula regenerativa, pois todos os elementos presentes no ambiente garantem saúde tanto do ponto de vista físico como psicológico. Materiais e mobiliário naturais e não tóxicos, radiações de campos eletromagnéticos em distâncias seguras da cama, conforto térmico e acústico e cenários luminotécnicos em sintonia com o ritmo circadiano fazem desta parte do apartamento um verdadeiro ambiente de regeneração, com o principal objetivo de garantir um período de sono tranquilo e reparador.



A iluminação artificial, para períodos noturnos, contará com lâmpadas com IRC acima de 90 e temperaturas de cor adequadas ao uso. Os quartos permitem ainda uma série de layouts diversos, podendo ser personalizados conforme demanda do hotel. Os banheiros foram pensados para ser uma extensão dos quartos, incorporando soluções que tragam uma experiência de relaxamento e regeneração. Plantas proporcionam a filtragem de poluentes mas também de autorregulação da umidade gerada pelos banhos de chuveiro e banheira, sem contar o tratamento acústico para balancear a reverberação excessiva de superfícies lisas dos revestimentos internos.




Equipe


A equipe idealizadora deste projeto é composta por profissionais e estudantes apaixonados por sustentabilidade na arquitetura e saúde dos ambientes.

Para saber mais sobre o concurso, conhecer todos os escritórios participantes, ganhadores e menções honrosas, acesse o site do HBC em: https://hbcertificate.com/vanderwerf/?lang=pt-br





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