Como a iluminação artificial influencia a sua saúde?



Algumas pessoas conseguem dormir tranquilamente com a luz acesa. Outras preferem tapar qualquer fresta de luz que possa entrar pela janela para poder dormir. E você, já pensou nesta relação que todos nós temos com a luz? Seja ela natural ou iluminação artificial?


Saúde e iluminação

Pensar neste aspecto é fundamental para criarmos e mantermos construções saudáveis e também pela garantia de ambientes de repouso livres de interferências externas, como luz e som por exemplo. E uma das principais condições para garantir nossa saúde e bem-estar é manter o equilíbrio do nosso ciclo circadiano: período biológico de 24 horas que baseia o funcionamento do nosso corpo.



Mas qual a relação com a luz?


Este mecanismo de autorregulação tem relação direta com os níveis e qualidade de iluminação natural ou artificial dos espaços e ambientes que frequentamos. Durante o dia, a iluminação natural estimula a produção de serotonina. À noite, a escassez de luz estimula a produção de melatonina, entre outros hormônios.



Essa relação entre o claro e o escuro, somado ao impacto que a iluminação artificial pode induzir nesse sistema, controlam uma série de processos metabólicos internos. Se esses processos estiverem desregulados, podem interromper os ritmos do nosso metabolismo e favorecer o aparecimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Ou seja, a iluminação estimula boa parte do nosso relógio biológico. Por isso, é fundamental cuidar com a quantidade e a qualidade da luz a que ficamos expostos.



Para que uma edificação seja sustentável e saudável, por exemplo, é preciso garantir que essa preocupação esteja já no projeto de arquitetura e paisagismo, pois é justamente nesta etapa que conseguimos garantir ambientes com níveis de iluminância adequados, evitando uso de iluminação artificial desnecessária durante o dia. Também conseguimos diminuir o consumo de energia elétrica e reduzir a poluição eletromagnética na edificação.


iluminação artificial e saúde


Nós sabemos que muitos ambientes de trabalho precisam de reforço de iluminação artificial durante o dia para conseguirmos níveis de iluminância (lux) adequadas para o trabalho, e que, no período da noite, o uso de iluminação artificial é fundamental para que consigamos manter nossas atividades noturnas normalmente.


Porém, não esqueça: para garantir uma boa recuperação do nosso organismo, não podemos transformar o dia em noite e respeitar sempre que possível uma rotina de sono saudável.


E é fácil de entender: a luz que entendemos como a mais saudável — a luz natural — deve estar em consonância com o nosso sistema circadiano. Nenhuma lâmpada consegue reproduzir com a mesma qualidade a luz natural, que apresenta um espectro de luz único. A escassez de iluminação natural, em termos dessa qualidade, nunca poderá ser equilibrada com o uso de iluminação artificial. E é exatamente por ter uma relação direta com o metabolismo do corpo humano que a iluminação tem uma importância estratégica dentro da arquitetura e na criação de ambientes saudáveis. Precisamos entender que a iluminação afeta não só a saúde física, mas também a nossa saúde psíquica.



Ok, mas como melhorar a qualidade e a quantidade de luz?


Temos um rol de lâmpadas que podemos adotar para suprir essas necessidades. Cada uma delas têm características próprias e são indicadas para determinados usos. Contudo, existem algumas características devem ser consideradas em todas as tipologias. Nem sempre essas informações estão descritas na embalagem do produto e, por isso, temos que pesquisar ou perguntar ao fornecedor para garantir que estamos usando um produto com a qualidade esperada.




A iluminação artificial ruim pode induzir a dores de cabeça, hiperatividade, estresse, insônia e irritação ocular. Justamente por isso, a qualidade da luz é de extrema importância e algumas características sobre a luz devem ser observadas, tais como:


  • IRC: o ideal que toda lâmpada tenha IRC (Índice de Reprodução de Cores) acima de 90. Esta é uma condição difícil de encontrar em dispositivos LED e em lâmpadas de baixo consumo mais acessíveis, por exemplo.


  • Temperatura de cor: em ambientes que nos preparam para o sono, as temperaturas de cor devem ser mais baixas para induzir a produção de melatonina e não “despertar o corpo”. O ideal é que nesses ambientes a temperatura de cor das lâmpadas não ultrapasse os 3000 K. Para ambientes de trabalho diurnos, já vale a recomendação das lâmpadas com espectro mais azul (lâmpadas mais frias). Existem também lâmpadas que variam sua temperatura de cor ao longo do dia para se ajustar ao ciclo circadiano.


  • A corrente alternada das nossas instalações elétricas vai induzir o fenômeno de cintilação (flicker) que, mesmo não perceptível conscientemente, em alguns casos, pode gerar uma série de enfermidades. Os LEDs e lâmpadas de descarga (fluorescentes) oscilam de forma muito intensa e em condições desarmônicas. Isso pode gerar cansaço, dores de cabeça ou insônia. Assim, recomenda-se que estas lâmpadas não estejam em ambientes de longa permanência. Lâmpadas incandescentes e halógenas seriam as mais indicadas.


  • Lâmpadas com reatores eletrônicos emitem ondas de alta frequência e campos eletromagnéticos prejudiciais a nossa saúde. Recomenda-se, quando utilizadas, uma distância de 2 metros da fonte luminosa.


  • Quando se constatar que a quantidade de luz em um determinado ambiente é insuficiente ou não adequada a determinadas funções, é preciso complementar essa deficiência com fontes artificiais com espectro de luz adequado (azul para o dia e amarelo para a noite).


  • Lâmpadas com alto brilho podem criar danos à retina. Por isso, é fundamental manter uma distância da fonte luminosa. Aqui podemos relacionar como fontes luminosas também os smartphones, tablets e notebooks, que, além do alto brilho, possuem um espectro de luz mais azul e, assim, deveriam ser utilizados com mais cuidado para uma boa noite de sono.


  • Descarte: importante verificar a composição das lâmpadas, pois algumas podem conter metais pesados em sua estrutura e necessitarem de descarte adequado, separado de resíduos sólidos comuns. As lâmpadas eletrônicas compactas, por exemplo, possuem mercúrio em seu interior. A recomendação é evacuar o ambiente quando uma delas quebrar, evitando a inalação deste elemento tóxico.


Se você ainda não havia pensado em todos estes aspectos que a iluminação influencia, agora é o momento de deixar a sua casa e o seu projeto ainda mais saudável.

Leia também: 9 DICAS DE ARQUITETURA SAUDÁVEL PARA O SEU BEM-ESTAR

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